quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

RELATOS DO MUNDO - 1# 09 de janeiro de 2026 (Os Três Bad Boys)

        A calmaria e a paz no mundo, se é que houve alguma em qualquer momento, vão encontrando o seu anoitecer. Tempos estranhos parecem nos rondar, e o mundo vai se alterando aos poucos, dando sinais de que uma tempestade se aproxima.

Primeiro foi a Rússia, que aos poucos alterou o tabuleiro do jogo. Uma invasão à Crimeia, depois a invasão total da nação ucraniana, e uma guerra que já dura mais de três anos.

O mundo ficou calado, fez de conta que era normal: “faz parte do jogo, não é conosco, a Rússia não fará novamente...”, mas fez. Aviões sobrevoaram o território da Polônia, logo, da OTAN. Algumas reações nervosas aqui e acolá, reclamações aqui e ali, mas nada além disso, e o mundo seguiu em frente, como se tudo fosse normal, nada com o que se preocupar.

Depois foi a vez da China se divertir realizando exercícios militares em torno de Taiwan. Mas nada de novo, eles nunca esconderam que vão invadir e tomar aquela pequenina ilha, a questão não é o “se”, mas o “quando”.

Por fim, enquanto todos dormiam tranquilos, acreditando que o perigo não existia, que a suas vidas tranquilas estavam asseguradas, eis que os Estados Unidos da América (EUA), isso mesmo, a velha nação que supostamente era o bastião da liberdade e do combate aos opressores, lança uma ofensiva contra a ditadura venezuelana, capturam o ditador Nicolás Maduro, e informam ao mundo que administrarão o país Sul-Americano. Por quanto tempo? Enquanto acharem que devem.

Até aí, tudo normal, o mundo segue como ontem, cada um em seu quadrado, sem preocupações, afinal, era apenas uma ditadura no terceiro mundo e seu ditadorzinho. Todos permanecem em seus palácios, dormindo em berço esplêndido, alheios aos acontecimentos, acreditando que tudo permanece hoje como era na semana passada.

E então chega a surpresa, todos ficam em choque. Os EUA retomam “ameaças” contra a Groelândia e a Dinamarca, nação que faz parte da OTAN. “Avisos” de que o território da maior ilha do mundo é muito importante e que os Estados Unidos não estão satisfeitos que esteja sob a tutela de outros povos, eles querem o território para os seus próprios e “virtuosos” interesses.

A União Europeia fica em choque, lideranças lançam declarações de descontentamento e discordância, mas nada além disso. O que poderiam fazer além de proferir algumas reclamações de dentro do armário onde estão trancados se tremendo de medo.

E dessa forma, o mundo vai mudando, a estrutura e a ordem global ruindo, os três bad boys impondo suas vontades aos demais, que nada podem fazer, afinal, por décadas, acreditaram em promessas vazias de paz e amizade. Todos em cheque, rendidos, indefesos, de mãos atadas, por hora, e ao que tudo indica, por um longo no futuro, uma vez que a ficha de que o mundo mudou, ainda não caiu.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

O CLUBE MEFISTO (THE MEPHISTO CLUBE) – TESS GERRITSEN – RECORD

 

Andando despretensiosamente por uma bela biblioteca de minha cidade, há cerca de vinte anos, deparo-me com um livro de bela capa e nome chamativo. Levo-o para casa e me engajo em uma das primeiras aventuras de minha jornada como leitor e, certamente, um dos responsáveis por meu amor pelos livros.

Hoje, engajando-me na leitura da obra completa de Tess Gerritsen, uma de minhas autoras favoritas, revisito esse interessante livro, o qual me traz tão boas recordações da infância.     

Em O Clube Mefisto, Tess nos apresenta o sexto capítulo da saga de Jane Rizzoli e Maura Isle (Saga Rizzoli & Isle), dupla de Detetive e Médica Legista, respectivamente, que atuam na cidade de Boston (EUA), investigando assassinatos dos mais variados tipos.

 Assim como os demais livros dessa saga, O Clube Mefisto é um Thriller Médico, gênero de suspense que combina elementos de medicina, ciência e mistério, sendo a autora uma das grandes referências mundiais.

Nesse volume, Rizzoli e Isle investigam uma série de assassinatos brutais, repleta de decapitações, religião, simbologia e satanismo, dentre outros aspectos macabros. Esse cenário acaba cruzando o caminho delas com o de uma sinistra fundação, O Clube Mefisto, que tem como membros pessoas excêntricas e poderosas.

O estilo de escrita da autora permanece fiel ao dos livros anteriores, intercalando o ponto de vista das personagens principais com o do antagonista, mostrando muitos aspectos do assassino, sobretudo o seu passado.

Esse estilo de Tess permite ao leitor conhecer intimamente a psique do vilão, sendo uma das marcas da autora enquanto escritora do gênero de suspense médico (medical thriller).

O livro também expande o universo da saga, introduzindo novos personagens e realizando o desenvolvimento de outros, com muita ênfase na personagem Maura Isle, porém, isso ocorre em prejuízo ao desenvolvimento de Jane Rizzoli.

Muito claramente, a partir do terceiro livro, a saga tem um foco maior no aprofundamento da médica legista, o que provavelmente ocorre devido a formação da autora na área de medicina. Isso pode frustrar os leitores mais apaixonados pelo suspense raiz, que costumam ser focados principalmente nos detetives e na investigação policial, sobretudo os fãs que têm em Jane Rizzoli sua personagem principal.

Destaca-se o fato do livro se aproximar mais dos dois primeiros da saga, O Cirurgião e O Dominador, com uma caçada a um serial killer, um sociopata perspicaz e sádico, que impõe um grande desafio para as protagonistas. Isso certamente agradará aos fãs dos thrillers raiz, apesar do assassino da vez não fazer jus ao Cirurgião, antagonista principal dos dois primeiros livros.

O Clube Mefisto é um livro divertido, com um mistério interessante que cria uma investigação única, sendo repleto das marcas do estilo narrativo de Tess Gerritsen, porém sendo único dentro da saga.



segunda-feira, 29 de maio de 2023

THANOS E SUA NÃO TÃO INOVADORA IDEIA!

        Há alguns anos foi lançado o filme VINGADORES: GUERRA INFINITA, que apresentou o vilão Thanos, um dos mais cruéis e violentos seres do Universo Marvel e que possui um plano com objetivo nefasto: utilizar a manopla do infinito para eliminar metade da vida do universo em um estalar de dedos.

        Esse também é o objetivo do personagem nos quadrinhos da Marvel, porém por motivos distintos. Enquanto nas HQ's o intuito de Thanos é agradar a Deusa Morte, no universo cinematográfico suas intenções são muito mais "nobres": Salvar o universo de si mesmo. A ameaça? Os recursos no universo são finitos e a quantidade de seres vivos aumenta infinitamente. De acordo com o personagem, isso levará a um cenário catastrófico, que resultará no fim de todos os seres vivos. A solução mais razoável encontrada por ele? Cometer genocídio eliminando cinquenta por cento de todos os seres vivos.

        Mas, será que isso faz sentido?

        A ideia está errada em sua essência. Os organismos não podem crescer para além do que os recursos disponíveis conseguem suportar. Alias, as populações sequer podem crescer até o máximo que os recursos existentes permitem, pois, antes mesmo disso, a competição e as pressões do consumo controlarão o quantitativo de indivíduos, impedindo o colapso.

        Esse é o cenário em ambientes terrestres que costumam ter climas agressivos, como a savana africana por exemplo. Naquele bioma claramente existe uma limitação de recursos, principalmente no período da estação seca, mas mesmo assim os leões e outros animais nativos desses habitats não entram em extinção. Claro que todos os anos esses animais são acometidos por grandes dificuldades, tais como a fome e a seca, o que resulta na morte de muitos deles, consequentemente reduzindo as populações, mas nunca levando a extinção. Isso porque a escassez de recursos limita o tamanho das comunidades animais, impossibilitando o crescimento desenfreado e, para além disso, garantindo a sua redução a medida que os recursos ficam mais e mais limitados. 

       Veja a população humana por exemplo. Por que não atingimos os sete bilhões de indivíduos há dez mil anos? Ou há dois mil? Ou há mil? Por que isso ocorreu? Bem, o motivo é muito simples. Porque tínhamos uma limitação na quantidade de recursos disponíveis, ou seja, há dez mil anos não havia recursos suficientes para sustentar uma população de sete bilhões de humanos.

        Note que a espécie humana aumentou gradativamente o seu número por cerca de duzentos mil anos, até chegar a um bilhão de indivíduos durante o século XIX. Coincidentemente, foi no final do século anterior que teve início a revolução industrial, intensificada ao longo do século XIX, possibilitando um bum na disponibilidade de recursos, justamente devido ao grande aumento na produção. E apenas no século XX chegamos aos dois bilhões de indivíduos, coincidência ou não, o século da globalização, que novamente possibilitou um bum na produção, elevando ainda mais a quantidade de recursos. 

        E quanto mais a capacidade produtiva e a quantidade de recursos disponíveis aumentava, mais a população humana crescia, até chegar nas impressionantes cifras atuais, de oito bilhões de seres humanos no planeta Terra, número esse que segue aumentando.

        O que podemos concluir disso?

        Primeiramente que Thanos estava redondamente enganado. O crescimento do número de seres vivos não levaria a um colapso do universo, pois a quantidade de recursos disponíveis por si mesma controlaria a população. Os seres vivos, assim como a humanidade, só podem crescer até o ponto em que os recursos conseguem sustentá-los. 

        Em segundo lugar, podemos concluir que todas as vezes que aparece alguém com ares de bastião da moralidade, da verdade e do que é certo, pregando soluções radicais para um problema existente, o resultado são mortes incalculáveis. 

        Basta olharmos para a nossa história e perceberemos exatamente isso.


Escrito em 29 de maio de 2023

Por V.


 

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Resenha da Serie SWEET TOOTH [1º Temporada]

Sinopse: Em uma perigosa aventura em um mundo pós-apocalíptico, um adorável menino-cervo sai em busca de um novo começo na companhia de um protetor rabugento.


Sweet Toth


O que acontece quando um grave problema de escala global acomete a espécie humana e ameaça as vidas da maioria das pessoas?

Sweet Tooth nos apresenta uma perspectiva de como tal problema influenciaria a humanidade, assim como esta reagiria diante de uma calamidade global:

Medo;

Desconfiança;

Traição;

Controle;

O fim da razão;

Caos...

Esses são alguns dos elementos escancarados na obra, explorados de uma forma extremamente crua e visceral, principalmente se levarmos em consideração sua baixa faixa etária, para 14 anos.

A abordagem da serie fica ainda mais interessante quando contrastada com o mundo real e com seu atual contexto, em que se destaca um certo probleminha biológico global que "surgiu" no início do ano de 2020, bem como a reação das pessoas, dos grupos, das classes sociais, das Instituições, e dos Governos mundo afora.

Assim, Sweet Tooth destaca-se no cenário do entretenimento como um dos principais e mais interessantes lançamentos de 2021 até o momento, apresentando um bom enredo, personagens cativantes, uma miríade de gêneros (aventura, fantasia, ficção científica, terror e mistério) que enriquecem a obra, além da vantagem de ter sido lançado na época perfeita para a abordagem de sua história. Certamente uma jogada de mestre.

Sweet Toth


MAS DO QUE TRATA A HISTÓRIA


O Mundo de Sweet Tooth é atingido por um vírus brutal, o 'flagelo', que massacra a população de uma forma terrível, reduzindo drasticamente o número de indivíduos e submentendo a humanidade a sofrimentos terríveis, não apenas àqueles decorrentes diretamente da doença causada pelo vírus, mas também a inúmeros outros resultantes da ação humana quando submetida a uma situação de estresse drástico.

Concomitante a isso, nascem inúmeras crianças híbridas de humanos com animais pelo mundo. O personagem principal, Gus, é uma dessas crianças, sendo um híbrido de humano com cervo.

O nascimento dessas crianças é visto com desconfiança, pois a humanidade não sabe se elas são um resultado da ação do vírus ou se as próprias causadoras da ameça biológica, desencadeando o que há de pior no ser humano, e resultando em uma atrocidade de congelar o sangue nas veias.

O QUE MAIS É OFERECIDO PELA OBRA


Apesar de ser ambientada em um universo pós-apocaliptico, nem tudo é sofrimento na série. A mesma é recheada por diversos momentos de ternura, alegria, aventura, diversão e até fofuras, tendo em vista que as crianças híbridas são muito lindas e interessantes.

Gus, o personagem principal, um garoto-cervo, escapou das atrocidades decorrentes do 'flagelo', graças ao seu pai, que o protege dos perígos do mundo. Porém, depois de algum tempo, assim como acontece com qualquer criança que vai crescendo, Gus passa a se interessar pelo mundo, e seu desejo de aventura começa a crescer de forma desenfreada, bem como sua vontade de encontrar e conhecer um certo alguém. Esses elementos abrem caminho para a "grande aventura" da trama.

Além disso, como híbrido e personagem principal que é, Gus é rodeado por um ou por alguns segredos ou mistérios, que contribuem para o desenrolar da história.

Sweet Toth


PERSONAGENS


No decorrer da história, somos apresentados a diversos personagens, de modo que a narrativa acompanha pelo menos três arcos principais de acontecimentos, intercalados por momentos no presente e no passado e que se desdobram também em sub-arcos que contribuem para o entendimento de toda a história.

Embora esse arcos tendam a se convergir para um futuro e inevitável encontro, a escolha por abordar a história em diferentes perspectivas enriquece o enredo e contribui para evitar o cansaço por parte do telespectador, já que a narrativa está sempre se alternando, ofertando diferentes elementos para quem está acompanhando a obra.

Além disso, outro acerto do enredo é a construção das histórias dos demais personagens de uma forma tão interessante ou até mais do que a de Gus, contribuindo de forma brilhante para a trama.

Sweet Toth


O QUE ESPERAR PARA A PRÓXIMA TEMPORADA


Toda a construção e a abordagem da primeira temporada contribuem para que Sweet Tooth seja uma das melhores séries lançadas até o momento neste ano de 2021.

A obra tem bons personagens, um problema central interessante, arcos e histórias cativantes, e um final com alguns execelentes ganchos para a próxima temporada.

Entretanto, considerando o histórico de séries, principalmente as da Netflix, a tendência é que a próxima temporada seja um pouco menos interessante que a primeira, devido a alguns fatores que poderão impactar a obra:

1. PERDA DO FATOR NOVIDADE:


Não é mistério para ninguém que tudo aquilo que é novidade é mais interessante para nós, seres humanos. E no quesito séries, essa é uma verdade quase que absoluta. Quantas vezes foram lançados seriados que conquistaram o público de uma forma arrebatadora, mas que com o passar das temporadas ficaram cada vez mais repetitivas, sem graça, sem apelo, sem cativo junto aos fãs. Esse certamente será um obstáculo a ser superado pela próxima temporada de Sweet Tooth.

2. GANCHOS E EXPECTATIVA:


O final da temporada deixou alguns, ou melhor, vários ganchos para a continuidade da obra. Além disso, a história, personalidade e passado dos personagens foram muito bem explorados nesse primeiro momento da série. 

Diante disso, por conta do hype criado, a tendência é que a série tente se superar, buscando a velha fórmula do "mais e maior é melhor", ou seja, apresentar acontecimentos maiores, mais explosivos, mais mirabolantes, na tentativa de manter o interesse, porém sem agregar nada de novo e sem nem conseguir explorar de forma satisfatória os elementos já inseridos na trama.

A outra possibilidade é que os produtores não utilizem esse aspecto apelativo do quanto "mais e maior é melhor", mas acabem não conseguindo ofertar um enredo cativante que atenda as expectativas criadas com a primeira temporada e principalmente com os ganchos de seu final.

ACALME-SE, NEM TUDO PRECISA SER PESSIMISMO


Felizmente, a obra é baseada em quadrinhos da DC COMICS, de modo que existe uma boa base para a construção da continuidade da série. Logo, se for bem adaptada pelos produtores, a tendência é que a continuação seja extremamente satisfatória e muito bem sucedida junto ao público.

NOTA FINAL


A série apresenta bons personagens, vários elementos de diversos gêneros que são bem abordados, e um enredo contextualizado com o mundo real, proporcionando ao telespectador a oportunidade de realizar uma boa reflexão pessoal e sobre o mundo, ou apenas um momento pipoca com a família.

⭐⭐⭐⭐✰

Já assistiu a série? Deixe nos comentários o que achou. Se gostou da resenha, compartilhe para ajudar na divulgação do meu trabalho. Clique na barra lateral e visite as minhas redes sociais.

Um grande abraço e até a próxima.

Por Vinícius Vieira de Faria
Escritor, Blogueiro e Criador de Conteúdo Digital
Em 07 de julho de 2021